xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' junho 2011

domingo, 19 de junho de 2011

Década Vermelha

Nota do autor: Não sem querer excluimos o final de 2001 e o ano de 2002 (onde o Grêmio se manteve ainda dentro da lógica pré-junho de 2001 e assim, fora disso que estamos denominando “Década Vermelha”) assim como o ano de 2006 (onde o Grêmio, já recuperado da crise do centenário, se manteve estável durante todo o ano nos diversos campeonatos) na retrospectiva aqui traçada. Fica claro, então, que não se trata de uma década cronológica (10 anos sem titulos como a analise de muitos outros blogs) e sim uma análise do real período de crise do clube gremista.

Não existe melhor maneira de definir os últimos dez anos do Imortal Tricolor: estamos passando por uma longa fase instável, um momento de nossa história que nada tem de semelhança com a definição de Grêmio. Time forte desde suas raizes, time campeão mesmo no seu inicio, time internacionalmente louvado e respeitado. Em 17 de junho de 2001, como muito se lembrou no dia de hoje, o Grêmio conquistava mais uma vez a Copa do Brasil contra o tradicional Corinthians. Em 2002, nosso Tricolor abandonou a Libertadores nas semi-finais. Era o primeiro dos muitos “quases” desses amaldiçoados anos. Mas não vamos nos precipitar. Podemos dividir em (pelo menos) duas fazes essa chamada década vermelha. A primeira, de 2003 até 2005. Os Anos do Horror, se assim se pode chamar. Foi o período real onde o Grêmio passou de um grande time atingindo sua maioridade (100 anos) as ruínas.

A péssima direção (encabeçada pelo presidente Obino) levou o tricolor porto-alegrense a uma grave crise administrativa em pleno ano do Centenário. O reflexo disso no campo foi quase fatal: escapamos do rebaixamento apenas na última rodada do Campeonato Brasileiro. 2004 é um ano que muitos gostariam de apagar de suas memórias. Assim como muitos realmente o fizeram. O ponto alto do ano foram as quartas de final disputadas pela Copa do Brasil, conquista que não reflete em nada o real pesadelo de qualquer gremista naquele ano fátidico. Me dói lembrar, mais ainda registrar essa lembrança mas o Grêmio terminou como o pior time da Liga de Elite do futebol brasileiro. Ostentando tal posição na tabela do Brasileirão, finalmente encontramos o fantasma que nos perseguiu durante os últimos dois anos: o rebaixamento. Batalha dos Aflitos. Isso resume o ano de 2005. Ano que ficamos todos desabrigados, com as reformas mais do que urgentes no Monumental. Ano de resultados sofridos mas de um grande plantel (Galatto, Anderson, Sandro Goiano, Tcheco, Lucas, entre tantos. E de um grande técnico: Mano Menezes), que dentro de seus limites fez o Inacreditável nesse ano e no ano que se seguiu.


A segunda fase, menos caótica porém mais preocupante se inicia em 2007 e segue até os dias atuais. Como não pode deixar de ser, nosso trajeto começa ao fim de 2006 onde o time gremista conquista a vaga na Copa Libertadores da América após um ano tranquilo e renovador para o torcedor. E o primeiro semestre de 2007 não foi diferente. Passo a passo, tropeço por tropeço, nosso Grêmio chegou a final do campeonato mais almejado por qualquer gremista em seu juízo perfeito. Dia 20 de junho de 2007, milhares de gremistas lotaram as tribunas, dando o espetáculo mais bonito da história tricolor fora de campo. Dentro, infelizmente, o reflexo de um time fraco, que não foi montado para a final de uma Libertadores. Não resistimos ao melhor time do tradicionalissimo Argentino Boca Juniors das últimas décadas. O amargo daquele vice campeonato ainda amarga a boca dos torcedores ali presentes que se enchem de orgulho ao descrever a festa, o show das arquibancadas do Olímpico. 2008 foi o ano do Brasileiro. De novo, um vice campeonato de sabor mais amargo do que o comum. O Grêmio segurou a ponta chegando a uma diferença matemática extremamente favorável em meados do meio do segundo turno. Numa trajetória digna de um longa “desventuras em série” não só perdemos essa vantagem, como chegamos a última rodada precisando de uma vitória e precisando torcer por uma derrota do São Paulo. É quase senso comum dentro das rodas tricolores (o gaúcho) que o Grêmio perdeu o titulo para o Goias (referencia ao jogo que iniciou nossa queda (Grêmio 1 x 2 Goias em casa) e ao último jogo dos são paulinos que foi justamente contra eles).

O ano de 2009 tinha gosto de TRI como nenhum outro. “Soy loco por TRI américa..” define o sentimento de todos os gremistas. Com uma equipe escolhida a dedo, a tempos não estavamos tão preparados para lutar por um título como estavamos para a Libertadores 09. Entramos grandes, saímos humilhados. Fomos pegos desprevinidos por uma derrota inexplicável. Inexplicável o volume do gols perdidos e de erros tecnicos de um Grêmio forte como o desse ano. Não houve remédio que curasse o caos estático dentro do clube. O reflexo foi uma campanha mediocre também no Braisleiro. O ano nulo. 2010 por sua vez, de nulo não teve nada. No primeiro semestre, parecia a volta do pesadelo a pouco superado. Uma equipe teoricamente forte mas que na pratica era igual a rebaixamento. O remédio veio tardio, mas veio na medida certa. A direção anunciava em agosto que ninguém menos que O Homem Gol, o Santo Portaluppi, estaria de volta. Dessa vez do lado de fora, levando o grandioso Imortal ao seu devido lugar: o topo da tabela e, consequentemente, a Copa Libertadores. Nessa extase que se instaurou, passou por muito tempo despecebido (ou pelo menos foi minimizada sua importancia) a nova crise administrativa do Tricolor Gaucho. Sem reforços e com exposição demasiada do nome do clube, o Grêmio foi de um sonho azul de volta a um inferno vermelho em poucas semanas. Tudo muito sutil, muito maquiado. Mas que se tornou obvio para todos na eliminação prematura (ou tardia, se consideramos o futebol jogado e não a tradição) da LA e a, não consequente mas que veio a somar no sentimento da torcida, derrota na final do Gauchão pros eternos amargos.

Esse último semestre pode também ser conhecido como “O Balde de Água Fria”. Acordamos. Olhamos em volta agora e vemos um time se levantando do chão mais uma vez. Cena recorrente nesses últimos anos de Grêmio. Não queremos mais tropeçar, queremos uma ascenção tranquila, grandiosa, imortal. Queremos mais Grêmio, queremos mais titulos. Queremos mais voz. A torcida do grêmio segue fazendo a sua parte. Outras tantas décadas virão e a única certeza que temos é que a cada dia, a cada ano vamos ser outra vez nós dois.
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Texto retirado do blog:

http://torcidadogremio.com/wp/decada-vermelha/

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É um texto longo sim, mas é uma retrospectiva de 10 anos do meu Grêmio. E se quiser ler pouco, vai ler a história do int...aquele time lá.

Fui.